Muito me convém a psicose,
ver o mundo se alterando em minha volta,
minhas fantasias projetadas
nas paredes da caverna,
enquanto danço na avenida
sem pudor,
enquanto o estrondo do bumbo da mangueira
se sobressair ao fascismo,
enquanto o batucar dos pandeiros da beija-flor,
faz cessar as guerras,
faz florescer o amor.
Na psicose,
enquanto mexo meus quadris,
Elza Soares é santa perversa,
Jorge Lafonde é profeta,
Skylab o último cantor,
Hilda Hilst a última poeta,
enquanto a torcida brasileira,
nas bordas dos muros do hospício,
grita novamente,
em pé sobre os montes de merda,
“O BRASIL, É TETRA.”
