Afinal, o que é a parte mal dita?
O não dito, é o afogado, o engasgado, aquele que quer emergir no mundo através da fala, mas por medo da repreensão, cala-se, autocensura-se, faz todas as concessões e nenhuma imposição, que no mar revolto, já não navega, mas afunda-se.
Mas sendo o homem o mais domesticado dos animais, aqui faz-se o poeta o animal revoltado, que rompe as correntes as dentadas, que de sua maneira, tal qual um pássaro, mesmo diante das mais temíveis grades a seu jeito se faz livre.
Aqui enaltecemos a brecha, o vão, vertemos o fluxo e navegamos, por onde a falha que a máquina já não é capaz de corrigir.
Neste espaço, diletantes, acadêmicos, diletantes, poetas, ensaístas, cineastas, cronistas e todos os artistas que hoje feito ratos, margeiam as periferias do labirinto curitibano, podem, enfim, vir a luz e aqui encontrar não só um território onde o mal dito já pode ser dito sem medo de se mostrar a língua, mas também uma comunidade, para chamar de sua.
