Prazer,
Eu sou um cadáver,
mas não daqueles mumificados,
fossilizados no tempo
feito história para a posteridade,
mesmo morto,
de minha boca ainda nascem moscas,
sou morto-vivo
sou Lázaro,
sou pulsante
sou daqueles que fedem sob a luz do sol,
sou daqueles das quais as feições tortas
Repelem e atraem multidões.
Exalo versos pútridos pelos meus poros,
que podem cheirar a jasmim
-para quem abriu as narinas,
sou abjeto para aqueles que fecharam os olhos,
mas sou belo
-para quem abriu o estômago.
Me putrefaço,
meu suco escorre pela grama,
PENETRA o solo
O aduba..
… e é no rizoma
que me faço
CÓSMICO
