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Yuri Fernandes Machado Poema

O ladrar dos cães

Nas horas mais escuras,
pelos motivos mais escusos,
quando me vejo nu,
com a pele descascada,
feito fruto de semente exposta,
sem escudo,
só me resta ouvir,
as mensagens que me trazem,
os cães que ladram lá fora.

Bebo resto de café,
adoçado com sangue de barata.

Olho para a minha cama,
me lembro quando os lençóis
costumavam cheirar a feromônio de mulher,
enquanto agora só resta o cheiro de formol,
das roupas que roubei dos mortos.

Se na interzona,
meu balbuciar inexato,
que digo aos próprios ouvidos,
para lembrar que ainda estou vivo,
me aproxima da morte,
olho então pra cidade tomada,
pelo jorro do horror,
que secreta o secreto,
enquanto uma nau de loucos,
me convida a navegar,
mesmo em meio a tamanho vil negror,
enquanto os cães,
continuam a ladrar.

A Parte Mal Dita
Vitchenzo Manfron Caliari
Yuri Fernandes Machado

@apartemaldita
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