Meu caro, tu morres no barro ao meu trago
Para brindar tua ida tida como bem-vinda aos céus
Que se fecham sobre nós. Uma má sina inclina com fogo
A nossa decaída em meio aos canhões e sangue amargo
No âmago de corações detidos e feridos no tardar das pulsações.
Por ti levanto, ao demagogo, Rei ou Criador, eu rogo
Como guerreiro derradeiro sob o sol veraneio,
E ao escurecer como notívago pródigo em energia para honrar
A casa em sonora bravura à altura de uma mesura
Para vossa graça, que aos servos veio
Para musicar a chegada com o soar amigo.
Espadas, maças, clavas, lanças e chamas
Esbravejavam de todos os lados aos passos
Dos sanguinários despatriados. Sob uma árvore
Ressequida e esquecida morri com minha esperança finita.
O rei morreu, gritavam e choravam, como abelhas fugimos
De nossos estandartes em instantes ao azul céu
Que aos espantos e prantos recaiu como véu.
Maior traição veio em cheio como um devaneio,
Pois foi revelado que o Rei nada virtuoso clamaria por paz
Ante a batalha, mostrando falha em medo e flauteio
Ao povo velho e novo que em arrependimento se desfaz.
Mortos não falam, exilados se perdem e envergonhados não voltam.
A Rainha trai e contrai a malícia do usurpador,
Com ele se une em completo torpor
Para assumir e terminar de ruir a Sagrada História.
De um país tido agora como sem glória,
Somos usados e para o passado esquecidos
Passados anos e anos de desgraças e horrores acometidos.
Gerações de famílias desprovidas de vidas
E de felicidade pelo Reino e sua iniquidade.
Aqui, servo, me desfaço em pó e jamais retornarei mesmo só.
Afinal, qual monarca não é usurpador de si mesmo
E traidor das próprias virtudes? Soberba e avareza
Encarnadas, os que vestem a coroa vazia a mando
De seu próprio Deus ou não; e ainda sim traídos
Por ele caem no fundo poço do próprio sangue de águas azuis.
