O que diriam os antigos?
Perguntava o menino em cima do muro,
em uma candura que só um neurótico,
é capaz de exprimir.
“A nau dos insensatos naufragou mais cedo”,
disse o velho belga,
deixando para os que ficaram,
só paranoia, angústia e medo.
Para onde foram as bacantes?
Perguntava a menina em saias curtas,
memória muscular ancestral,
de quem quer sambar como se sambava antes.
Carnaval, riso de gente igual,
que cortava como navalha,
mas que faria gozar de forma,
a dilatar o olho do animal.
Para onde foram aqueles loucos?
Hospícios, algoritmos, nossa imagem na vitrine,
nosso corpo medicado,
enquanto de nossa alma
nos restou tão pouco.
