Acabei de finalizar a leitura de Richard II, meu primeiro contato com as peças históricas de William Shakespeare e uma das minhas favoritas da vida! Absolutamente tocante a história do sol poente e o cessar de sua indigna luz.
Depois de escrever as peças que se tratavam da Guerra das Rosas e King John, como diz a tradutora Bárbara Heliodora, Shakespeare se mostrava incomparavelmente mais maduro e hábil, compondo então peças anteriores ao período mencionado, resultando primeiramente em Richard II.
A peça explora como o rei lida com as relações entre poder e subordinado, sua posição, privilégios e deveres. Richard II (1367-1400) é o único que crê na teoria do direito divino dos reis, estando acima do bem e do mal, tendo liberdade para realizar o que bem deseja e da forma como deseja. Agindo desta forma, veio à tona o início de sua condenação, pois ao morrer seu tio, o Velho Gaunt, decidiu sequestrar os bens e derrubar títulos que passariam ao exilado Bolingbroke (1366-1413).
Perdendo então todo o apoio da nobreza, o exilado retorna com sua dedicação inabalável à Inglaterra e ao bem-estar do povo. Sua ação o conduz à queda do Rei e então à sua morte, assim Henry Bolingbroke, o primo que desaba o outro como um balde de lágrimas a um fundo poço, se torna o Rei Henry IV em 1399 na Westminster Abbey.
A peça possui como base e princípio a seguinte questão: “o que é melhor, um mau rei legítimo ou um bom rei usurpador?”
Afinal, qual monarca não é usurpador de si mesmo e traidor das próprias virtudes? Soberba e avareza encarnadas, os que vestem a coroa vazia a mando de seu próprio Deus ou não; e ainda sim traídos por ele caem no fundo poço do próprio sangue de águas azuis.
“The shadow of your sorrow hath destroyed
The shadow of your face.”
